Escritos em geral - Filosofia, Ética e Filosofia Política, Direito, Jornalismo e Literatura. Material de aula e devaneios. Não hesite em visitar, criticar, comentar e divulgar.
FOTO - Uma das praias da Província de Okinawa, no Japão.
Na vida prática, temos máscaras sociais que utilizamos conforme nossas conveniências. Fingir ou dissimular parece ser mais regra que a exceção. Agir de modo honesto e correto, como manda o figurino, é coisa de “babaca”. Imagine-se numa situação em que quem sabe mentir melhor será o vencedor.
Agora, imagine uma pessoa totalmente honesta que é jogada no meio desse jogo de mentiras. Essa é a trama de “Liar Game”, o jogo dos mentirosos, uma minissérie japonesa baseada num mangá (revista em quadrinhos), veiculada pela TV Fuji de abril a junho de 2007.
A moça ingênua Nao Kanzaki, vivida por Erika Toda, recebe subitamente uma maleta com 100 milhões de ienes. Junto com ela, vem uma carta lhe informando que foi selecionada para o “Liar Game”. Na primeira rodada, ela enfrenta seu professor de infância. Aí que começam as decepções.
Nao pede auxílio a um psicólogo recém-liberto da prisão, Shin’ichi Akiyama (Shota Matsuda), profundo conhecedor do comportamento e do lado sombrio do ser humano. Akiyama foi preso por levar à bancarrota um grupo empresarial que tirou proveito da sua mãe - também extremamente honesta, como Nao - que preferiu cometer suicídio a deixar dívidas para ele. A dupla Akiyama e Kanzaki vive o thriller psicológico ao longo de 11 capítulos.
Nao é sempre surpreendida negativamente por ser muito boa. Ela é sempre xingada de “baka” (boba, idiota, em japonês) por ser aquilo que as pessoas dizem ser mas na verdade tiram sarro. Qual é a moral de hoje em dia? Aparentar ser bom, ou fingir ser bom e levar vantagem em tudo no final das contas?
A moral é relativa no tempo e no espaço. E a ética é a ciência, ou parte da filosofia, que estuda a moral. Aquilo que alguns consideram moral numa determinada época e região pode ser considerada imoral em outra época ou região.
Então, a moral no “Liar Game” era mentir, enganar, dissimular e se fazer vencedor, custasse o que custasse. Nao, a garota “boba e inocente”, no final das contas e naquele contexto, seria a imoral. A norma fundamental nesse jogo era ganhar, alicerçando-se no individualismo extremo, que levaria à violação de normas que, no mundo exterior, seriam consideradas como “morais”.A reflexão ético-filosófica não é tão fácil assim, né? O mundo está cada vez mais complicado. Está na hora de você começar a ler... Livros. Ou pensar muito bem naquilo que se está fazendo. Certo ou errado?
A verdade é a diretriz, o princípio-motriz, dos sistemas de pensamento. A teoria do conhecimento e a epistemologia tem como característica, em seus estudos, a busca da verdade, seja pela manifestação lógico-gramatical (como na filosofia da linguagem) ou pela correspondência ontológica com a realidade, ou aquilo que se concebe como realidade.
Contudo, o mundo está sempre em conflito e o que se concebe como verdade, na filosofia, essa turbulência se eleva, porém, sem carregar a violência, no entendimento de Karl Jaspers. Em contraposição, a falsidade, ou mentira – no jargão popular -, contrapõe-se ao verdadeiro. Mas é preciso valorar, antes, cada ação e situar cada enunciado, antes de se falar sobre a “qualidade” da falsidade.
Numa conceituação simples, desprovida de maior pretensão teórica, a mentira é uma falsidade carregada de valoração ética negativa, aquilo que seria chamado na teoria geral do delito de reprovabilidade.
O “de mentira”, por sua vez, seria uma falsidade não comprometida na sua valoração ética, mas valorada segundo parâmetros que não necessitam, essencialmente, corresponder com a realidade, já que não há compromisso mais rigoroso com as premissas da lógica. Verifica-se a “mentira” em atividades reprováveis em termos éticos e jurídicos, como, respectivamente, desobedecer a um mandamento religioso, ou cometer estelionato, por exemplo. Já o “de mentira” é comum nas brincadeiras infantis, no exercício do imaginário, ou nas obras dos artistas.
Ao ouvir um conto de fadas, a criança sabe que seus pais contam coisas “de mentira”. Mas é diferente quando ela ouve seus pais dizerem que não vão mais fumar. E ela os vê, mesmo que escondidos, fumando. As valorações das situações e dos contextos são diferentes. O “de mentira” pode até mesmo assumir valorações estéticas, enquanto a mentira, em si, geralmente continuará sendo reprovada. Salvo melhor juízo, há um texto do filósofo francês Jean-Paul Sartre intitulado “A imaginação”, que versa sobre o universo do “de mentira”.
Também é preciso, nesse texto sobre a “mentira” e o de “mentira”, escrever, mesmo que brevemente, sobre o que é conhecimento. O que é conhecimento? Desde o nascimento da filosofia e das ciências o ser humano tenta responder essa pergunta. O filósofo grego Sócrates (469-399 a. C.) dizia: “Só sei que nada sei.” E fazia do conhecimento uma jornada sem fim, a ser sempre descoberta. Por outro lado, autores como Rufolf Carnap (1891-1970), do Círculo de Viena, século XX, dizem que é impossível fundamentar absolutamente o conhecimento. Quando mais se pensa a respeito, mais se complica a respeito. A filosofia tem esse papel: fazer pensar.
Aquilo que conhecemos nos traz segurança. Mas o que é possível conhecer? O conhecimento está correto? Essas indagações de caráter filosófico são como baldes de água em cima de castelos de areia. A filosofia nos leva a um passeio maravilhoso pelo conhecimento humano, mas, ao mesmo tempo, nos ensina a viver com a falta de segurança. O Papa João Paulo II (1920-2005) dizia que os filósofos tiram a esperança das pessoas por causa disso.
O mais usual é dividir o conhecimento em opinião (senso comum) e ciência (conhecimento científico). Na opinião, ou senso comum, as pessoas geralmente dizem “eu acho que”. É o famoso palpite. No conhecimento científico, as pessoas dizem “eu sei que”. Qual a diferença? No senso comum, se falam coisas sem que haja necessidade de comprová-las. Quer dizer, não há compromisso com a verdade. Já, no conhecimento científico, quando se diz algo, esse algo pode ser comprovado por meio de uma argumentação sólida ou por testes empíricos.
O senso comum é o conhecimento normal do dia-a-dia. É o que a gente ouve falar nas ruas, nas escolas, no serviço, nas igrejas e também nossas viagens na maionese. Exemplos: orientais são mais inteligentes que as outras “raças”; beber leite e chupar manga é veneno. Isso é o senso comum, que muitas vezes carrega preconceitos – noções sobre algo ou alguma pessoa que nem sempre são aquilo que se fala por aí, ou o que nós pensamos, mas que podem ser corrigidas se nós tivermos maior conhecimento de causa sobre o assunto.
O conhecimento científico é mais comum nas universidades e nos meios acadêmicos. Pode surgir do senso comum. Muitas vezes, o conhecimento científico serve para comprovar coisas que achamos que são, ou para contrariar coisas que achamos que são de determinado jeito. Vamos usar os exemplos anteriores para mostrar como o conhecimento científico nos livra dos preconceitos do senso comum: a-) orientais não são mais inteligentes que outras “raças”.
Descobriu-se que, cientificamente, não há várias “raças”, apenas diferenças ocasionadas por causa de influências geográficas e isolamento de outros grupos humanos. Mas orientais vieram para o Brasil só com a roupa do corpo, sem dinheiro, sem saber português, por que tanto progresso? No Oriente, houve influência muito grande do filósofo Confúcio, que pregava respeito ao professor, dedicação aos estudos e não querer mais coisas do que se fez merecer por meio do trabalho ou dos estudos, segundo análise de Marcelo Paixão, professor de Economia do Trabalho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Portanto, nenhuma “raça” é melhor que a outra. Somos todos iguais. b-) chupar manga e beber leite não é veneno. Historiadores explicam que, na época da escravidão no Brasil, a última refeição dos escravos era um copo de leite. Mas isso era muito pouco, principalmente para quem trabalhava na agricultura e pecuária o dia inteiro. Então, os escravos iam escondidos para as plantações comer manga para matar a fome. Os fazendeiros, claro, não queriam prejuízos, aí, espalharam o boato de que comer manga é veneno.
O conhecimento científico pode filtrar os preconceitos do senso comum, visando desmistificar pretensas verdades, que, na realidade, são “mentiras”, que podem causar muitos estragos. Já o “de mentira” – embora possa facilmente ser desmascarada pelo próprio senso comum, ou se necessário, pelo conhecimento científico – pode ter sua validade epistemológica questionada por não corresponder à lógica ou à realidade. Contudo, o “de mentira” é de certa forma fundamental para o aprendizado e para dar vazão à criatividade humana.
No uchinaguchi (dialeto de Okinawa, sul do Japão), Mensoree significa "benvindo". Bem diferente de "Irashaimasee", do japonês padrão.
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Um ser que foi humano um dia, em busca do elixir das fantasias inóspitas escondidas nas imaginações fustigadas pela apatia generalizada.
Um espírito aprisionado pela carne e pelas necessidades que lhes são inerentes.
Descendente do futuro entardecer da aurora do pensamento.
Bacharel em Comunicação Social - Jornalismo, bacharel em Direito, Graduado pelo Programa Especial de Formação Pedagógica de Professores de Filosofia, Especialista (MBA) em Comércio Exterior, Especialista em Direito Penal e Direito Processual Penal, Mestre em Filosofia Ética. Estudante eterno da vida que se transmuta em milhares de fragmentos do real e da ilusão, em contraste com a finitude do pensamento energúmeno dos teatros sociais espalhados pela vastidão do globo.