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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Das Beste - Silbermond


Sem querer ser piegas, ou coisa do tipo. "Das Beste", da banda alemã Silbermond (Lua de Prata), é uma das músicas mais legais que já ouvi na vida. A voz e a beleza da vocalista Stephie Kloβ são contagiantes. Trata-se de um pop sem ser enjoado. Pena que no Brasil estamos mais acostumados com músicas com idioma inglês. Deixamos de apreciar músicas maravilhosas de outros países, que muitas vezes são encaradas com preconceito, devido ao idioma ser outro que não o inglês. Mas isso pode mudar!

Confira o site da banda: http://www.silbermond.de/



Ich habe einen Schatz gefunden
und er trägt deinen Namen
so wunderschön und wertvoll,
von keinem Geld der Welt zu bezahlen


Du schläfst neben mir ein,
ich könnt' dich die ganze Nacht betrachten
Seh'n wie du schläfst, hör'n wie du atmest,
bis wir am morgen erwachen


Du hast es wieder einmal geschafft,
mir den Atem zu rauben
Wenn du neben mir liegst,
dann kann ich es kaum glauben,
dass jemand wie ich, sowas Schönes wie dich, verdient hat


Refrain:
Du bist das Beste was mir je passiert ist
es tut so gut wie du mich liebst
Vergess' den Rest der Welt,
wenn du bei mir bist


Du bist das Beste was mir je passiert ist
es tut so gut wie du mich liebst
ich sag's dir viel zu selten,
es ist schön, dass es dich gibt


Strophe:
Dein Lachen macht süchtig,
fast so als wär' es nicht von dieser Erde
auch wenn deine Nähe Gift wär',
ich würd bei dir sein,
solange bis ich sterbe


Dein Verlassen würde Welten zerstör'n,
doch daran will ich nicht denken
Viel zu schön ist es mit dir,
wenn wir uns gegenseitig Liebe schenken


Betank mich mit Kraft
Nimm mir Zweifel von den Augen
Erzähl' mir 1.000 Lügen, ich würd' sie dir alle glauben
Doch ein Zweifel bleibt,
dass ich, jemand wie dich, verdient hab'





Refrain:
Du bist das Beste was mir je passiert ist
es tut so gut wie du mich liebst
Vergess' den Rest der Welt,
wenn du bei mir bist


Du bist das Beste was mir je passiert ist
es tut so gut wie du mich liebst
ich sag's dir viel zu selten
es ist schön, dass es dich gibt'


Strophe:
Wenn sich mein Leben überschlägt,
bist du die Ruhe und die Zuflucht
Weil alles was du mir gibst,
einfach so unenendlich gut tut
Wenn ich rastlos bin, bist du die Reise ohne Ende
deshalb lege ich meine kleine, große Welt in deine schützenden Hände


Du bist das Beste was mir je passiert ist
es tut so gut wie du mich liebst
Vergess' den Rest der Welt,
wenn du bei mir bist


Du bist das Beste was mir je passiert ist
es tut so gut wie du mich liebst
Ich sag's dir viel zu selten,
es ist schön, dass es dich gibt'


Ich sag's dir viel zu selten, es ist schön, dass es dich gibt



Tradução
Encontrei um tesouro
E ele tem o seu nome
Tão bonito e mais valioso
Que todo o dinheiro do mundo
Você adormece ao meu lado
Posso ficar a noite toda te olhando
Te ver dormir, te ouvir respirar
Até que acordemos de manhã
Você conseguiu de novo tirar meu fôlego
Quando você se deita a meu lado
Eu mal posso acreditar
Que alguém como eu
Mereça alguém tão bonito como você





Refrão:
Você é a melhor coisa que já me aconteceu
Me faz tão bem a maneira com que você me ama
Eu esqueço o resto do mundo
Quando você está comigo
Você é a melhor coisa que já me aconteceu
Me faz tão bem a maneira com que você me ama
Eu te digo muito pouco
Que é maravilhoso você existir
Estrofe:
O seu sorriso vicia
Como se não fosse dessa Terra
Mesmo se ficar perto de você
Fosse um veneno
Eu ficaria ao seu lado até morrer
A sua partida destruiria mundos
Mas eu não quero pensar nisso
É lindo demais estar com você
Quando nos oferecemos o nosso amor
Me fortaleça
Tire as dúvidas de meus olhos
Conte-me mil mentiras, eu acreditaria em todas
Ainda assim permanece uma dúvida
A de que eu mereça uma pessoa como você
Refrão:
Você é a melhor coisa que já me aconteceu
Me faz tão bem a maneira com que você me ama
Eu esqueço o resto do mundo
Quando você está comigo
Você é a melhor coisa que já me aconteceu
Me faz tão bem a maneira com que você me ama
Eu te digo muito pouco
Que é maravilhoso você existir
Quando minha vida fica de pernas pro ar
Você é minha paz e refúgio
Porque tudo o que você me dá
Faz eu me sentir infinitamente bem
Quando estou inquieta
Você é a viagem sem fim e por isso
Eu ponho este meu pequeno grande mundo nas suas mãos protetoras





Você é a melhor coisa que já me aconteceu
Me faz tão bem a maneira com que você me ama
Eu esqueço o resto do mundo
Quando você está comigo
Você é a melhor coisa que já me aconteceu
Me faz tão bem a maneira com que você me ama
Eu te digo muito pouco
Que é maravilhoso você existir
Eu te digo muito pouco que é maravilhoso você existir

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Konayuki - Floco de Neve

Remioromen é uma banda de j-pop (pop japonês) muito legal. Uma das músicas mais marcantes é "Konayuki" (floco de neve), que fez parte da trilha sonora do seriado "Ichi ritoru no namida" (Um litro de lágrimas), estrelado por Erika Sawajiri (a "Hotarubi", de "Shinobi - heart under the blade"). O seriado, baseado em fatos reais, é carregado de situações que fazem até os brucutus mais insensíveis chorarem.
A banda é composta por Ryota Fujimaki (guitarra e vocal), Keisuke Maeda (baixo) e Osamu Jinguuji (bateria). Para quem souber ler japonês aqui vai o site http://www.remioromen.jp/
Bom, aqui vai um pouco de Remioromen.


Konayuki

Konnayuki mau kisetsu wa itsumo sure chigai
Hitogomi ni magirete mo onaji sora miteru no ni
Kaze ni fukarete nita you ni kogoeru no ni

Boku wa kimi no subete nado shitte wa inai darou
Soredemo ichi oku nin kara kimi wo mitsuketa yo
Konkyo wa naikedo honki de omotterunda

Sasaina ii aimo nakute
Onaji jikan wo ikite nado ike nai
Sunao ni nare nai nara
Yorokobi mo kanashimi mo munashii dake

Konnayuki nee kokoro made shiroku somerareta nara
Futari no kodoku wo wake au koto ga dekita no kai

Boku wa kimi no kokoro ni mimi wo oshi atete
Sono koe no suru hou he sutto fukaku made
Orite yukitai soko de mou ichi do aou

Wakari aitai nante
Uwabe wo nadete itano wa boku no hou
Kimi no kajikanda te mo nigirishimeru
Koto dakede tsunagatteta no ni

Konnayuki nee eien wo mae ni amari ni moroku
Zara tsuku ASUFARUTO no ue shimi ni natte yuku yo

Konnayuki nee toki ni tayori naku kokoro wa yureru
Soredemo boku wa kimi no koto mamori tsuzuketai

Konayuki nee kokoro made shiroku somerareta nara
Futari no kodoku wo tsutsunde sora ni kaesu kara

Fonte:
http://letras.terra.com.br/remioromen/515995/




Tradução


Floco de neve


Na época em que caem flocos finos de neve,
A gente sempre se desencontra
Apesar de ver o mesmo céu em meio à multidão
Soprados pelo vento e tremendo de frio

Talvez eu não conheça tudo de você
Mas descobri você
Entre cem milhões de pessoas
É o que eu acredito
Mesmo sem fundamentos

É impossível viver o mesmo tempo
Sem discussões triviais
Se não dá para ser para sincero
Será tudo inútil
Tanto na alegria quanto na tristeza

Flocos finos de neve,
Se tingissem até o coração de branco,
Seríamos capazes de compartilhar
A nossa solidão?

Encostando a minha orelha no seu coração
Quero seguir essa voz e descer até o fundo
Para a gente se ver de novo

Queria lhe entender melhor
Mas eu acariciava apenas a parte superficial
Sem saber que
Bastava apertar sua mão gelada
Para estarmos ligados

Flocos finos de neve
Diante da eternidade, são tão frágeis
E se transformam em manchas
Sobre o asfalto áspero

Flocos finos de neve
O coração às vezes oscila
Mas vou protegê-la
Para sempre

Flocos finos de neve
Se tingissem até o coração de branco
Cobririam a nossa solidão
Para levá-la de volta para o céu

Fonte:
http://vagalume.uol.com.br/remioromen/konayuki-traducao.html

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O CD do Daniel Laier

Conheci Daniel Laier no curso Itinerários de Leitura em Francês, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Aprendi a me virar um pouco na francofonia, pelo menos para questões de leitura. Mas acho que o Daniel é bem mais fera nesse sentido. O que não sabia é que ele também é músico. E dos bons. Lançou um CD recentemente e me mandou um post no Orkut, que reproduzo literalmente:


"Gostaria de te convidar para conhecer meu site www.myspace.com/daniellaier e ouvir meu primeiro disco, gravado em São Paulo e produzido por Beto Bertrami.Este disco possui canções de minha autoria e tem participação de importantes músicos da cena musical brasileira (entre parênteses estão alguns dos renomados artistas com quem já trabalharam):- Beto Bertrami: Piano, produção musical e arranjos (Leila Pinheiro, Wilson Simoninha);- João Parahyba: Percussão (Maria Bethânia, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Trio Mocotó);- Walmir Gil: Trumpete (Djavan, Orquestra Mantiqueira, Orquestra Jazz Sinfônica);- Ubaldo Versolato: Sax e Flauta (Fábio Júnior, Orquestra Mantiqueira, Orquestra Jazz Sinfônica);- Gustavo Lessa: Violoncelo (Orquestra Jazz Sinfônica);- Rudy Arnaut: Violão e Guitarra (Mariana Belém);- Airton Fernandes: Baixo (Roberta Miranda);- Lael Medina: Bateria (Roberto Menescal, Pepeu Gomes).Para adquirir o disco entre em contato comigo."

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Fera e a Bela: uma entrevista com João Moshin & Cláudia



A música tem uma beleza capaz de domar as feras. O que ocorre quando o Fera e a Bela se juntam? Um show espetacular. Assim, se pode descrever a performance da dupla João Moshin & Cláudia. Isso é possível só para quem está na boca da mídia? Não. Eles provam que podem fazer isso, mesmo sendo gente como a gente, que trabalha de segunda a sexta-feira e pica cartão, no horário de entrada e saída. Mostram que é possível ralar a semana inteira e ainda aos finais de semana trabalhar mais e se divertir, fazendo o que gostam. Mais do que arte, o dom musical, para ambos, é a manifestação de algo muito maior que os transcende: é reverenciar a Graça Divina.

Cláudia

Cláudia ganhou seu primeiro pianinho aos 3 anos. Aos 8 anos, começou a participar do coral da escola. Escrevente no Fórum local, a cantora também não dispensa um filme. Assiste pelo menos um por dia. A moça tem sorte, muita sorte. Afinal, seu namorado, Ricardo Gomes, é dono de videolocadora (CM Vídeo). Mesmo assim, Cláudia e o namorado não dispensam um cineminha, umas duas vezes por mês pelo menos.

Apesar da correria do cotidiano, Cláudia consegue dividir seu tempo entre o trabalho, os pais e o namorado para agraciar os ouvintes com o dom divino das suas emanações locais. Mas Deus não revela os dons para os servos que têm preguiça de se aperfeiçoar. Cláudia estudou piano dos 10 aos 16 anos, com uma maestrina, em Sorocaba (SP), e no conservatório de Tatuí (SP). Na época, dava aulas de piano. Também lecionou canto. Hoje, porém, não tem mais tempo. Ensina só o irmão dela, que gosta de pagode. “Não gosto”, esclarece Cláudia. Já dizia o velho ditado popular que gosto não se discute. Respeita-se, pois o clima é democracia.

João Moshin

Acompanhado do violão ou do teclado, a timidez de João Moshin fica de lado e o vozeirão encanta os ouvintes. Sem comer cebolas, como aquela famosa piada infame e sem graça, ele é, realmente, um cantor garantido, garante o espetáculo e a acaricia os tímpanos dos ouvintes.

Casado com Celina, é pai de Priscila e de Bianca. Sempre simples e esperançoso, ele diz que além de Deus, O Todo Poderoso, completa o lar a cachorrinha poodle Jully.

Gente finíssima – quer dizer, além de magrinho, é muito legal também -, já apareceu no “Jô Soares Onze e Meia”, na época do SBT, foi personagem de publicidade na televisão e vira e mexe anima festas, casamentos, mais bares e restaurantes de Sorocaba e região. “O Jô me chamou de Fujimori. Todos caíram na gargalhada”, lembra.


Confira, um bate-papo com João Moshin e Cláudia.


PERGUNTA - Quando e como despertou seu interesse por música?

JOÃO MOSHIN IOBIKU - Minha mãe que infelizmente partiu cedo – em 1974, quando ela tinha 45 anos e eu, 14 anos -, dizia que desde bebê eu já me interessava em música. Quando comecei a andar, ao ouvir música, começava a dançar. Lembro-me vagamente que mamãe ao fazer os afazeres domésticos cantarolava canções japonesas. Não me lembro das músicas, mas certamente eram do dialeto Okinawa. Minha filha Priscila, gosta de cantar e é muito afinadinha, mas é muito inibida. Por enquanto, solta sua voz aqui em casa quando estamos só nós. A Bianca é mais extrovertida, quem sabe futuramente pinte algum interesse musical . . . A Celina, minha esposa, só aprecia a música, também me ajuda a compor os repertórios e agendar os compromissos.

PERGUNTA - Quem é Cláudia, a cantora e no cotidiano? Como foi seu primeiro contato com a música?

CLÁUDIA - Sou funcionária pública desde 1992. Trabalho no fórum como escrevente. Além da música, tenho uma paixão muito grande por filmes. Assisto pelo menos um filme por dia. Eu namoro. Não moro com meus pais. Mas não consigo ficar um dia sem vê-los. Eu os vejo todos os dias, sim. Nós nos amamos muito e não ficamos sem nos falar, nem nos ver. Pode ser que o fato da criação influa também, mas do lado positivo. Tenho o maior respeito por eles e quando tiver filhos gostaria que eles também tivessem por mim e tenham o maior orgulho de mim como tenho dos meus pais. Desde muito pequena. Quando tinha 3 anos, ganhei meu primeiro pianinho. Meu pai me gravava desde essa idade cantando, num gravadorzinho que ele tinha. Comecei a participar do coral da escola em que estudava aos 8 anos.

PERGUNTA - Quais instrumentos você toca? Como começou a tocar cada um deles?

JOÃO MOSHIN - O instrumento de paixão mesmo é o violão. Também toco o teclado, mais pelos recursos que oferece. Por volta dos 15 anos, estudava na Instituto de Educação Estadual Júlio Prestes de Albuquerque (IEEJPA). Na época do antigo ginasial, tinha um amigo, chamado Leôncio Ruiz Filho, que me emprestou um violão. Não sabia tocar nada, foi mais para conhecer o instrumento. Estava na sala de casa, quando, ao levantar, bati a lateral do violão numa mesinha de centro e infelizmente ou felizmente, sei lá, quebrei o dito cujo. Comprei um violão novo para ele e fiquei com o quebrado, remendado com fita isolante. A partir daí começou o namoro que perdura até hoje. Comprava aquelas revistas de músicas cifradas (VIGU) e praticamente aprendi tudo sozinho. Quanto ao teclado tive aulas por um período no Piano Center, em 1997, e depois também comecei a estudar sozinho o instrumento.

PERGUNTA - Qual a sua formação musical? Qual o seu método para lecionar música?

CLÁUDIA - Estudei piano dos 10 aos 16 anos, com uma maestrina em Sorocaba (SP) e no conservatório em Tatuí (SP). Durante esse período dava aulas de piano. Ultimamente, não tenho tempo para dar aulas. Só ensino meu irmão. Ele adora pagode, mas eu não gosto. Quando costumava dar aulas, procuro imaginar o que o aluno tem em mente e o que ele gosta. Assim, as aulas ficam mais agradáveis. A maioria gosta de cantar música sacra. Eu sempre cantei na igreja, os alunos me conheceram por lá também. Então, a maioria deles canta em missas. Depois, verifico quais são as dificuldades do aluno, se é dicção, audição ou ritmo. Aí, trabalho com para sanar a sua dificuldade. Só desse jeito o aluno consegue cantar melhor. Há pessoas com vozes bonitas, mas quem ouve não entendem o que cantam. Nesse caso, trabalha-se a dicção. Outros “entram” fora do tempo, O problema dela é o ritmo. E assim por diante.

PERGUNTA - Você é bem conhecido em Sorocaba. Como tudo começou?


JOÃO MOSHIN - Comecei tocando nas missas dominicais, participava de Festivais de Música Sacra e outros Festivais na cidade e região, inclusive as do Clube Recreativo, aqui em Sorocaba (lembro que, entre outros, participavam Milton Carlos, Celso Viáfora e Genésio Sampaio). Participei do Grupo de Jovens "Jofra" (Jovens Franciscanos) da Igreja Bom Jesus, no bairro Vila Hortência. Foi o primeiro grupo amador a se apresentar e a lotar o Teatro Municipal Teotônio Vilela, com a peça "Francisco, o Ato Eterno", cuja trilha musical foi composta por mim, Rubinho (como Francisco, ator principal) e Hamilton Sbrana (texto e direção). Gostava das noitadas. Onde tinha música ao vivo estava lá para ouvir e também aprender. Aos poucos fui me enturmando com os músicos e no intervalo pedia para dar uma canja, mas sempre como músico, pois no começo apenas tocava. De 1989 a 1991 arrendei o bar no meu tio Francisco Moko Yabiku, que se chamou Shogun - Piso Superior. Foi lá que comecei a cantar mais, junto com os amigos Luis Baldini e Diogo. Eu me apresentei ainda no Restaurante Villa Moreno, Kanakauê, Cachaçaria, Bar Flamingo, Porções, American Bar do Ipanema Clube, Shopping Esplanada, Shopping Plaza de Itu, Bar e Restaurante Baco de São.Roque, Restaurante Fiorentina e Spa Campus.

PERGUNTA - Qual o seu passado musical?

CLÁUDIA - Já fui professora de canto pelo curso ministrado pela Arquidiocese de Sorocaba. Comecei cantando em festivais de música sacra aqui em Sorocaba e nas cidades do interior paulista como Osasco, Guarulhos, Suzano, Cruzeiro e em Varginha (MG). Além de intérprete eu compunha as músicas.

PERGUNTA - Hoje em dia, onde vocês tocam?

JOÃO MOSHIN – Atualmente, temos feito mais cerimônias em Igrejas e Recepções de casamentos.

PERGUNTA – Mudando de assunto e sem quer ser machista ou coisa do tipo, Cláudia. Seu marido lhe acompanha nos shows? O que ele acha da sua atividade?

CLÁUDIA - Meu marido, o Ricardo, não me acompanha por dois motivos: ele trabalha até tarde e nos shows eu estou trabalhando. Seria a mesma coisa se ele ficasse na locadora, e eu ficasse do lado, vendo-o trabalhar. Não dá, gente! Mas nós nos vemos todos os dias. Mesmo depois dos shows, até quando acaba às 2h00 horas. Às vezes, ele vai comigo aos shows. Quando é em outra cidade, eu peço para ele ir comigo, pois não gosto de dirigir à noite nas estradas. Mas só quando é assim. Não é nada legal ficar sentado num lugar em que você não conhece ninguém, esperando que a festa acabe.

Mas ele adora o fato de eu cantar. È meu fã número um. Todas as músicas que o João grava e me manda ele tem gravada também e fica ouvindo. Ele me pede pra tocar violão e cantar pra ele e coisa e tal. Além de tudo, torce pra que tudo dê certo e me incentiva a cantar. Eu acho que se rola ciúmes é bem pouco. Ele confia em mim. Sabe que não extrapolo em nada, principalmente na maneira de me vestir.

PERGUNTA – Nesse sentido, qual é a dica que você dá para as mulheres?

CLÁUDIA –
Acho isso muito importante falar disso. Você precisa ser chique e discreta, elegante sem ser sensual, pois você está trabalhando. Sinceramente eu sou muito mais ciumenta que o meu namorado.

PERGUNTA – Bom, voltando ao fio da meada. João, quais foram suas parcerias mais memoráveis?



JOÃO MOSHIN – Tive e tenho inúmeras parcerias com músicos daqui, inclusive toquei um bom tempo com a Banda MPM. Quanto às memoráveis apresentações, uma delas foi a apresentação no Programa Jô Soares Onze e Meia, em 1997 quando ainda era no SBT. Eu participava do "Eu Show a Lei", um musical beneficente, produzido por um grupo de advogados, o interessante é que num repente, durante a entrevista com a advogada Lilian Rose, o Jô me abordou e disse: "E o Fujimori. O que está fazendo aí no meio?" Foram só risos. Uma outra memorável apresentação foi em 1995, em Salto de Pirapora (SP). Na época, trabalhava naquela cidade e ganhei o Festival de Intérpretes, na modalidade Música Popular. O prêmio caiu do céu pois, além do troféu, desembolsei R$ 2 mi, que usei para trocar de carro.

PERGUNTA - Como foi formada a dupla João Moshin e Cláudia?

CLÁUDIA - O João estava procurando uma cantora que quisesse realmente formar uma dupla. Na época, eu não estava cantando em banda alguma. A cantora que cantava com o João (a Gabriela), que também trabalha no fórum, ficou grávida. Lá no fórum mesmo, ela soube que eu também cantava e me perguntou se poderia passar o número do meu telefone para o João. Ele ligou e marcou um dia para cantarmos na casa dele. Combinamos e deu certo. Isso ocorreu em maio de 2004. A partir daí, a dupla está caminhando muito bem.

PERGUNTA - Você tem notadamente uma influência MPB bem acentuada, mas navega também por outros estilos musicais. Quais foram suas influências do passado e de hoje?

JOÃO MOSHIN - Sempre gostei de Chico, Caetano, Gil, Djavan, Fagner, Tom e outros tantos. Passava horas e horas escutando e tentando tocar igual. A maior satisfação era conseguir reproduzir "aquele acorde" diferente. Hoje, não me prendo por esse ou aquele estilo, pois o que mais faço hoje é tocar em Festas e Casamentos e aí rola de tudo, de Frank Sinatra a Frank Aguiar.

PERGUNTA - Como você monta o seu repertório?

JOÃO MOSHIN - O repertório tem tudo a ver com sua sensibilidade, pois cada ambiente e cada dia são momentos diferentes. Por isso, não tenho um repertório pré-estabelecido, vou seguindo conforme o andamento da festa ou ambiente.

PERGUNTA - No que se baseia o repertório da dupla?

CLÁUDIA - Nós cantamos de tudo. Como fazemos festa, o repertório precisa ser bem variado. Cantamos músicas românticas, MPB, forró, boleros, country, anos 60, anos 70, axé, pop e quase tudo o que toca nas rádios e faz sucesso.

PERGUNTA - Como rolou aquele negócio de você ser garoto propaganda de uma empresa? Foi bom para você arranjar mais shows?

JOÃO MOSHIN - Na época, a empresa do ramo imobiliário "Emaximóvel" instalava uma filial aqui em Sorocaba, com sede em Osasco (SP). Ela procurava uma pessoa nipônica conhecida na cidade para fazer uma propaganda divulgando o slogan da empresa: "Aluguel garantido!”. Disseram que procuraram várias pessoas, mas como o japonês normalmente é mais fechado e tímido, ninguém aceitava fazer o papel. Numa vez, uma funcionária da empresa me viu tocar num bar e me convidou para fazer um teste. A princípio, não aceitei, mas diante da insistência e vendo a sua dificuldade, acabei fazendo o comercial, que foi um sucesso, pois compraram o horário mais caro da época, intervalo da “novela das oito”, da Globo, e Faustão. Vivi, por um tempo, momentos de fama, pois todos me reconheciam. O cachê não foi muito, mas foram os 30 segundos mais bem pagos da minha vida. Para a Empresa também deu um grande retorno, tanto que, quando passo por lá, os donos dizem que até hoje os clientes lembram e comentam da propaganda.

PERGUNTA - Num breve relato: o que é tocar e cantar para você?

JOÃO MOSHIN - O poder da música é indescritível. Para mim, tocar e cantar é um dom que Deus me deu de passar emoções a outras pessoas e sempre agradeço por isso.

PERGUNTA - Então, para você, cantar é como rezar, uma maneira de se reverenciar a Graça Divina?

JOÃO MOSHIN - Realmente você traduziu tudo que sinto. Conforme relatos anteriores não dá para ficar indiferente, pois Deus, quando mais precisei, sempre esteve presente, quer num prêmio de festival, quer num cachê de comercial. Cada vez que lembro desses episódios fica clara a Sua presença, basta querer enxergar.

Você pode pensar que estou bem de bolso, mas infelizmente não dá para viver só de música. Às vezes é cansativo, mas no País em que vivemos, agradeço por ter dois empregos.

PERGUNTA – E para você, Cláudia? O que é cantar?



CLÁUDIA - É como me transformo. Sou eu mesma, mas sou mais feliz. Acho que é uma manifestação divina também, pois é necessário ter o dom. Assim como os pássaros cantam, por um dom de Deus, Ele também dá esse dom a alguém. E eu me sinto agraciada por isso. A dedicação nos faz ser bons músicos, aplicados, mas nunca excepcionais e talentosos. Em qualquer ramo, vemos pessoas que trabalham bem e outras que vemos que “tem o dom pra coisa”. Assim é com a música. Desde pequena demonstrei que gostava de cantar, dançar. Então com o tempo, fui aprimorando esse dom, lapidando-o para tentar ser uma boa música hoje em dia. Sempre estudo, leio e ensaio. Não paro nunca, pois nunca estamos prontos. Sempre estamos aprendendo.

PERGUNTA - E viver somente de música? Já pensou nisso? No Brasil, tem jeito, ou não?

CLÁUDIA - Eu nunca imaginei ganhar dinheiro com música. Cantar é o que sei fazer, a música entrou na minha vida muito cedo. Para mim é prazeroso. Acho que não gostaria de viver só de música. Como tenho outro emprego, no fórum, é nos finais de semana, nas festas em que canto, que me livro do estresse. Se dependesse disso financeiramente, para viver não seria tão bom. Sinto alegria em cantar e gostaria de continuar como estou, apesar de achar que alguns cantores podem muito bem viver da música. Existem amigos meus que cantam profissionalmente e só vivem disso. Mas pra mim a música é minha parceira, companheira mesmo, não queria vê-la como trabalho. Música para mim é sempre prazer e alegria.

PERGUNTA - Por que a dupla João Moshin & Cláudia dá certo?

CLÁUDIA - Acredito que é por uma série de fatores: eu e o João temos outro emprego. Isso nos faz agendar shows só nos finais de semana. Mas às vezes, há exceções. Além disso, vemos como nosso “trabalho” aquele que vamos todos os dias, batemos cartão. Aquela rotina que todo brasileiro conhece tão bem. A música é o que nos faz extravasar. Além disso, temos um respeito muito grande um pelo outro. Ensaiamos todas semanas e procuramos dar o melhor de nós no palco.

Maiores informações: http:www.joaomoshin.com.br


terça-feira, 23 de junho de 2009

'Karajimagi', o cabeludo



Desenho feito por uma amiga num guardanapo do bar 'Asilo Arkham", por volta de 1994. Até que fiquei bonitinho, né






No uchinaguchi (dialeto de Okinawa, província do Japão), há uma palavra chamada “karajimagi”. Significa “cabeludo”. Durante um bom tempo da minha vida, uns cinco anos (não necessariamente ininterruptos), fui “karajimagi”. Na adolescência, tudo é possível, já que nossas ilusões ainda não foram macetadas pelas pancadas do mundo real.

Eu, por exemplo, queria ser guitarrista profissional. Tinha uma banda formada com o Celso Sinzato (hoje psicólogo), o Fabinho (já há algum tempo na Austrália), o Alexandre Minhoca (atual Policial Militar) e meu irmão, o Chico (continua a tocar na Banda Blackberry).

Fazia guitarra solo com minha Tajima vermelha, modelo Stratocaster, para canhoto. Para apimentar as performances da nossa banda (Xamã), o balançar de cabeça para frente e para trás, para os lados e assim vai.

Conheci muita gente legal nessa época, os irmãos Choquito e Chocola, baixista e guitarrista, respectivamente, gênios nos seus instrumentos. A galerinha muito dez do “The Wry”, que, vocês todos devem conhecer e, se não conhecem, deveriam, pois fazem um som da hora.

Era uma época com sabor de selvageria e delírios teens, mas sem frescuras de tremeliques. Mas como tudo o que é bom dura pouco, essa festa também acabou. Um professor de Biologia - o Sérgião -, no colegial, me apelidou de "Japonês Orgasmatron". E minha lenda se disseminou durante algum tempo na escola. Um outro nipo-brasileiro cabeludo, o professor Iwao, de Química, disse em classe que eu era o cover dele. Outro apelido era "Iwao Cover". Só tiração de sarro.

Por volta de 1991 ao começo de 1993, quando passei no vestibular de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e de História na Universidade de São Paulo (USP), fui "karajimagi".

Não teve jeito, tive que cortar as longas madeixas de cabelos lisos, que causaram tanta inveja das mulheres que passam horas nos salões de cabeleireiros à procura da “lisura” perfeita.

Eu andava muito a pé naquela época ou de ônibus. Era magro e muito pálido, parecia uma lombriga. Entrei no Salão Fluminense, do João (que Deus o tenha, morreu de acidente automobilístico quando voltava de uma pescaria).

Sentei no banco, cabisbaixo, com dó da minha fonte de forças, tal como se fosse um Sansão da vida. Peguei uma Playboy, só para ler os artigos, como tudo mundo faz, aliás, para ver se me distraía um pouco.

Chegou o momento fatídico. João me chamou. Sentei-me à cadeira, que parecia ser elétrica, pronto para a execução. Resolvi fazer um corte nada tradicional. Cortei moicano a la Phil Anselmo (veja a foto do cara enrolado numa cobra), então, vocalista da banda Panthera. Ficou um troço no meio da cabeça que dava para prender com uma xuquinha.






Saí do salão, todo mundo me olhava meio espantado. Algumas pessoas saíam do meu lado da calçada e iam para outra. Só risos internos.

Passado o período de bicho, na faculdade de Jornalismo, deixei os cabelos crescerem novamente. O período de incubação da cabeleira é sofrido. No meio do caminho, os cabelos ficam parecidos com aqueles ninhos bem desarranjados de passarinho. Horrível. Depois, fica bom.

Comecei a tocar em outra banda, com o Emerson (depois do K-Zone), Ceratti (também K-Zone), Marquinho e novamente Alexandre Minhoca. A temática era rock melódico a la Iron Maiden. O nome era sugestivo “Self Lords” – Senhores de Si.

Depois de economizar por muito, mas muito tempo, consegui uma aparalhagem melhor. Uma guitarra Ibanez para canhoto, um cubo Marshall 4040 e uma pedaleira Zoom 505. Uma das nossas performances foi num lugar chamado “Caipira & Country”, cujas instalações hoje abrigam um teatro pornográfico ao vivo (obs.: eu só ouvi falar, ein. Não frequento esses lugares).

Um lugar mais afeito ao público sertanejo, e nós lá. Tocando heavy melódico com algumas composições próprias. Uns instantes antes, havia um tal de “show das mulheres”. Uns “bofes” subiam ao palco e tiravam a roupa. Na hora de tocarmos, havia uma pequena pausa em uma das nossas músicas. Tirei a camisa, aproveitando o embalo, e comecei a solar. Só gritos da mulherada. Eu, magrelo, pensei que ia tomar xingo, entre outras coisas. Mas como a mulherada fazia tempo, parecia, que não via homem, até que gostou de mim. Menos pior.

Gravamos, com essa banda, uma faixa na coletânea “Rock n Roll de lo Tercero Mundo”, de um estúdio em Salto (SP). Só gente do interior paulista com composições próprias. A nossa foi a música “The first sight”. Mais tarde, mudamos o nome da banda para “Senhores de Si”, vertemos algumas músicas nossas para o português e gravamos, em 2000, no Estúdio Dó, Ré, Mi, em Sorocaba (SP), sob a batuta do músico Maurício Nogueira, duas faixas que seriam lançados num CD coletânea.

Lá por 1995, já estava com os cabelos no meio das costas. Outro impasse. Formei-me na primeira faculdade. No entanto, apesar de jornalista ser meio “bicho grilo”, as aparências no mercado de trabalho são implacáveis.

Por livre e espontânea pressão do mercado de trabalho, resolvi, novamente, cortar os cabelos. Dessa vez, pedi para o João, do Salão Fluminense, me entregar os cabelos. Eles estão guardados, no meu armário, dentro de uma caixa de sapatos. E, ainda, exalam o perfume da última lavada com xampu.





Tinha algumas coisas que me incomodavam também, como me confundirem com mulher na rua, levar encochada no ônibus, essas coisas chatas. Uma vez, um cara me perguntou: “- A senhora vai descer nesse ponto?” Respondi com voz bem grossa, igual dos filmes de samurai: “- Como é que é?” O cara ficou mudo e olhou para o outro lado. Ouvi algumas vezes: “Aí, gostosa!” Nossa, esses caras deviam ser doidos ou meio cegos. Já que eu, cabeludo, deveria parecer a japonesa mais horrível do mundo. Pensando melhor, a segunda mais horrível do mundo. A mais horrível é a Yoko Onno.

Por outro lado, tinha gente que falava coisas maldosas, do tipo "hippie nojento", "nojo de você", e outras delicadezas verbais típicas de gente "muito bem instruída".


Fiquei de cabeça rente por um tempo, principalmente, durante a faculdade de Direito. Depois da colação de grau, em 2005, deixei o cabelo crescer novamente. Fiquei assim até 2007. Na foto da minha carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), aliás, estou com cabelos longos e presos, devidamente trajado com terno e gravata.

Não era muito legal aparecer cabeludo no forum ou outros meios jurídicos. As pessoas olahvam meio estranho. Cortei a cabeleira mais uma vez em junho de 2007, na galeria da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), onde fazia pós-graduação em Direito Penal e Direito Processsual Penal. O pessoal da classe não me reconheceu, perguntou se eu era aluno novo.


Por mim, deixava o cabelo grande mesmo, mas vivemos numa sociedade que dita normas e costumes. Não posso me dar ao luxo de ignorá-las. Por enquanto, não posso me expressar tanto ou viver como eu quero, já que tenho que me adequar ao que a coletividade e o mercado de trabalho pedem. Um dia quando não tiver que dar satisfações para quem quer que seja eu deixo o cabelo crescer de novo. Mas acho que só depois que estiver aposentado. Aí, tem tempo. O tiozinho aqui não é tão velho assim. he he he. Piada sem graça.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O papel do indizível


A filosofia é um exorcista da esperança, diz o professor de filosofia Luis Alberto Peluso, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Ela vasculha os campos mais recônditos da mente, numa aventura maravilhosa pelo conhecimento humano, porém, não plenamente confiável. Pois nos ensina a conviver com a desesperança. Em sua última encíclica, o papa João Paulo II diz que os filósofos tiram a "esperança" das pessoas. Em certo aspecto, está certo. Mas, então, o que nos daria novamente a esperança?


A música, talvez, seria uma das respostas, já que a linguagem tem suas limitações. As palavras, por mais coerentes e verossímeis que sejam, não captam a totalidade de certas coisas, as mais importantes, inclusive. Ludwig Witttgenstein (ver foto) dizia que as coisas mais importantes são aqueles sobre as quais não podemos falar. O essencial, dessa forma, estaria além das limitações da linguagem, restando-nos como alternativa apenas o silêncio.

Essas coisas, que não podem ser expressas por palavras, podem ser mais gratificantes para o espírito. Que dizer da música? Podemos nem saber direito as letras, mas, de uma forma ou outra, a melodia fica gravada na memória e nos desencadeia uma séria de reações, desde a indiferença ao chachoalhar das cabeças.

Seria a música, portanto, a linguagem ideal, que transmitiria sem ruídos as coisas que realmente importam? É uma hipótese admirável, embora não tenha um método para afirmar cientificamente. É apenas uma opinião, como tantas outras.

Alguns sons, entretanto, parecem surtir um efeito de conexão de nosso ser com algo mais perfeito, que nos traz um sentimento de conjunção com o universo. Ludwig Van Beethoven, um dos maiores gênios da humanidade, compôs a sua 9ª Sinfonia completamente surdo. O quarto movimento, a Ode à Alegria, é deveras contagiante. Sua melodia, harmonia e ritmo formam um discurso quase perfeito, que foge às imperfeições da nossa linguagem, que nos evoca imagens e sons, numa paisagem de um mundo perfeito.






Portanto, a música seria uma dimensão mística, além do falar, que nos mostra uma das reais significações do mundo. Johann Sebastian Bach, considerado o maior organista da sua época, podia ter sentido a inspiração divina ao compor "Jesus, A Alegria dos Homens". Como traduzi-la em palavras? Impossível.




O mesmo se pode dizer de solos de guitarra, com "Always With You, Always With Me", de Joe Satriani, ou a belicosa "Eruption", de Edward Van Halen, só para citar alguns exemplos.






Por incrível que pareça, as músicas sem vocal são pouco apreciadas pela maioria. É claro, exigem um grau de abstração maior por parte do ouvinte, maior cultura musical e maior discernimento crítico. Os padrões das canções exploradas vorazmente pelas FMs são facilmente assimiláveis, consumíveis e descartáveis, tal qual apregoava Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, sobre a "Indústria Cultural", em suas considerações sobre "música ligeira".

Se chegamos a este ponto, é porque nosso capitalismo soube manipular e tornar um produto aquilo que considerávamos importante, que nos tocava diretamente a alma. Então, seriam estes sentimentos oriundos de bens de consumo? Sim e não, ao mesmo tempo, já que viver - neste começo de milênio - coincide com o ato de consumir.

A retomada das origens daquilo que é mais importante estaria, assim, fora deste sistema de compra-venda-troca. Seria uma utopia. Um sonho que ainda não conseguiríamos atingir, já que a música - neste aspecto - também falharia na tarefa de comunicar as coisas importantes, pois seria uma ponte cognitiva para "internalizarmos um produto musical".

Embora esteja escrevendo este artigo ouvindo "Land of the Free", do CD homônio, do grupo alemão Gamma Ray, creio que, apesar da desesperança e das armadilhas do consumo, não estou livre das minhas necessidades. Uma delas é a de ouvir música, mesmo para o simples intuito de espantar o vácuo do silêncio.




É uma presença, sobretudo, pois nos liga a algo (mesmo que não seja ao "mundo perfeito") que nos faz sentir juntos de alguém. Se não temos meios totalmente eficazes de transmitir e compreender as coisas importantes, dane-se. Temos ainda a música, que, para mim, ainda é muito importante.

Mais ainda: se o discurso é falível, que sentido terão estas linhas que acabo de escrever? Nenhum. Estamos dando voltas ao redor de nós mesmos para descobrimos a essência do universo. Olhamos nossos próprios umbigos como ponto de referência para tudo. Não estamos certos, porém, realizamos aquilo que está mais próximo da nossa realidade concreta.


Por enquanto, celebremos a nossa debilidade em encontrar o que importa de fato, com os nossas imperfeições e falhas cognitivas. De preferência, que a festa tenha muita gente a fim de um papo-louco e, com churrasco, muita música, de todas as qualidades.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Com ou sem você


Aqui postado contra o Sol, tenho um ângulo privilegiado, que me permite ver seu rosto refletindo a luz da manhã. Suas pupilas escuras, em contraste com as íris castanhas, parecem pedrinhas cujo brilho se acentua devido a ação dos raios solares. São jóias bem no meio dos seus olhos, infinitamente mais preciosas para mim que para qualquer outro. Qual a consistência do valor dessas coisas para os que não fazem parte deste relacionamento? Não me interessa, nem um pouquinho. Rasgo as cédulas e as jogo no rio, porque o que vale é o que está discriminado nas cláusulas do nosso contrato leonino; você fica com tudo e eu, com nada.
Dos seus olhos irradia a minha vontade de existir, muito embora, nem sempre estejamos de acordo. As suas vontades e as minhas vontades têm um ponto em comum, apesar das nossas diferenças. Mas eu lhe vejo, ao lado dos arbustos rebuscados, me esqueço de tudo e lhe aguardo.


Jeitosamente e com ajuda das reviravoltas do destino, atraiçoa-me e me deixa esperar. A angústia da nossa distância, no espaço e no tempo, é como se estivesse deitado numa cama de pregos. Mesmo ao véu da sua doce tortura, espero por você. Tanto faz se vem ou não. Questiono-me: como fico, com ou sem você?

Naquele dia em que saímos do mar revolto, impiedoso por causa de uma tempestade, e alcançamos a praia. Com nossas peles temperadas e curtidas pelo litoral, você disse que me amava. Entregou-se totalmente, mas eu queria e quero muito mais. Estou esperando por você. Aguardo, sem você. Com ou sem você, para sempre, como quiser, até que não haja mais amanhecer.

A implosão que me joga contra o vazio da sua não presença implica numa súplica das suas carícias por toda a extensão da minha pele. Esses toques suaves penetram pelos poros e atravessam, gradativamente, a derme e a epiderme, contagiando os tecidos. A sua substância entra na corrente sangüínea que a distribui para todas as células do meu organismo. Você faz parte de mim, em definitivo, como uma essência que torna vermelho o meu sangue e lhe dá o gosto agridoce, que alimenta os vampiros de todas as espécies.

Você me transformou num usuário do lhe servir, viciando-me com fragmentos do seu próprio ser. Depois, sumiu repentinamente, sem dar maiores explicações, e me largou sozinho para apreciar, simplesmente, as partículas subatômicas do seu odor. Fiquei sem a fonte para suprir minha necessidade de você, pois geralmente sua voracidade se desfaz quando está saciada, o que lhe deixa indiferente aos aspectos exteriores a sua personalidade, rompendo o nexo de causalidade do nosso ciclo biológico.

Estou totalmente dependente e você sabe disso. Necessito sentir seus lábios contra os meus e envolver o seu corpo contra o meu, atando-os com meus braços, roçar os seus seios e sentir o seu amor, plenamente, sem nada para atrapalhar.





Sua língua vermelha toca meu lóbulo esquerdo e me arrepio só de pensar no que você pode fazer comigo. Tal submissão é a sua vantagem, e por ter certeza disso, me faz de gato e sapato, num jogo de contradições que você mesma cria para me manter o seu escravo. Neste emaranhado de ilusões, nos desligamos da razão e damos vazão somente aos nossos sentidos, num misto de posições que escapam ao nosso controle racional. Somos um uníssono, uma teia intrincada e perfeita, na qual nos tornamos prisioneiros de nós mesmos. Mas você é a artesã que tece os fios e me ata junto ao seu corpo.

Não tenho escapatória. Você se deleita com meu estado de fragilidade e me põe debaixo do salto do seu sapato: só um ponto de pressão e estou liquidado, sem retorno para amarrar-me ao seu corpo novamente. Num estalar de dedos, você some sem deixar vestígios, abandonando-me novamente no meu vício de lhe desejar, num contínuo querer. Sou um parasita dependente do seu ser e você um parasita que usa da minha vontade de lhe servir.

Minhas mãos estão presas e minha carcaça está esgotada. Não tenho mais nada a ganhar ou perder. Você sabe disso e se aproveita ainda mais. Estou acabado, devido a sua ação, e não posso continuar mais desse jeito, pois preciso de você ao meu lado para pôr fim a este sofrimento. Sentado aqui, na escadinha da frente da minha casa, sei que só serei curado quando você estiver em definitivo ao meu lado. Aqui mesmo, no terceiro degrau da escadinha de lajota vermelha, queria que nós dois estivéssemos sentados, de mãos dadas, tomando um sorvete, vendo as pessoas passarem, e jogando conversa fora.



Há sempre uma chance de se fazer uma escolha. Mesmo se tudo parece sem sentido e as saídas parecem ser túneis para o obscuro, existe uma escapatória, uma passarela para a luz. Deixo você decidir o que fazer quando chegar o momento. Dependo da sua essência para garantir a minha existência, por isso, estou perdido quer com sua presença quer com sua ausência. Por hora, eu lhe espero e você sabe: meu sofrimento - tal como agora estou - prevalece, com ou sem você. Dos males, eu escolho martirizar-me todos os dias, pois meu sofrimento só é mais ameno quando eu amo você.



* Conto baseado na música "With or Without You", do LP "The Joshua Tree", do grupo irlandês U2.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sanshin no Hana - Flores de Sanshin






A província de Okinawa, no Japão, é berço de vários artistas de renome, principalmente na música. A veia artística dos uchinanchu (okinawanos) se reflete no seu cotidiano, seja em Uchina (Okinawa, em dialeto uchinaguchi), ou em outras terras, como o Brasil. Vasculhando minhas raízes, encontrei uma banda surpreendente, chamada Begin (foto à esquerda). Pelas fotos do grupo, fiquei meio ressabiado. O vocalista tocando sanshin (instrumento de três cordas - ver foto abaixo) e um chapeuzinho meio estranho.

Mas fui além do preconceito inicial e procurei me informar melhor e ver mais músicas de sua autoria e performance no youtube. A que mais em chamou atenção foi a música "Sanshin no Hana". Letra e melodia perfeitas, parecem caídas do céu, de tão harmoniosas e serenas. Faz parte da trilha sonora do filme japonês "Nada sou sou", ainda não lançado no Brasil. E que, provavelmente, não será, infelizmente.


Confira o vídeo no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=4iB_lRt8DyA


Letra


Sanshin no Hana

Itsushika wasurerareta oji katami no sanshin
Toko no made tanjo iwai no shimazake ni
motarete
Hokori wo tubide nadete yurunda ito makeba
Taikutsu de tamaranakatta shima uta ga hibiita

Azayaka ni yomigaeru anata to sugoshita
hibiwa
Yawarakana itoshi sade kono mune wo tsuki
yaburi
Saita no wa sanshin no hana

Terebi no naname mukaino
Anata ga ita basho ni
Suwareba arumino madokara yuu zuki ga
noboru
Kazoku wo nagame nagara
Nomu sake wa donna aji
Nemuri ni tsuku mae no
Uta wa dareno uta

Yorokobi mo kanashimi mo
Itsuno hika utaerunara
Kono shima no tsuchi no naka
Aki ni naki fuyu ni tae
Haru ni saku sanshin no hana

Kono sora mo ano umi mo
Nanimo katariwa shinai
Kono shima ni atakana
Kaze to nari ame wo yobi
Saita no wa sanshin no hana
Aki ni naki fuyu ni tae
Haru ni saku sanshin no hana



Flor de 'Sanshin"


O 'sanshin' que ganhei de lembrança do meu avô
Esquecido num canto, ainda traz o sabor do
saquê das festas de aniversário
Limpo a poeira com os dedos e estico as cordas
frouxas pelo tempo
Para fazer soar a música da ilha que preenche
minha solidão

Relembro claramente os dias em que passei ao
seu lado
E da ternura tamanha que fazia explodir o peito
Onde brotavam as flores de 'sanshin'

Eu me sento no seu lugar, quase em frente à TV
E observo a lua surgir do outro lado da janela de alumínio
Qual o sabor do saquê que tomava com a minha família?
De quem era a música que eu ouvia antes de adormecer?

Se um dia eu conseguir cantar a alegria e a tristeza
Enterrada nessa iliha, chorando no outono,
resistindo no inverno
Na primavera, quando brotam as flores de 'sanshin'

Nem este céu, nem aquele mar parecem ter mudado
O calor do vento continua a chamar a chuva para esta ilha
Onde brotavam as flores de 'sanshin'
Chorando no outono, resistindo no inverno
Na primavera, quando brotam as flores de 'sanshin'


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Papai Noel e os punks da periferia


Pelos idos dos anos 80, o punk brasileiro exercia uma força de atração arrebatadora na juventude. Foi nesta época que ganharam notoriedade, nos circuitos underground, bandas como Ratos de Porão, Cólera, Inocentes, Replicantres, Olho Seco, entre outras. Uma delas teve a ousadia de atacar furiosamente o símbolo maior de bondade e subserviência, do mais signicativo feriado ocidental. Para quem não se lembra, os autores da empreitada foram os integrantes do conjunto Garotos Podres, armados com sua música Papai Noel Velho Batuta.
O instrumental tosco e vocal berrado são as características do grupo punk formado em 1984, na periferia do ABC paulista. Suas letras de crítica à sociedade ganharam paulatinamente a admiração de muitos que, de uma forma ou outra, se identificavam com as críticas sociais que atacavam diretamente o âmago e a hipocrisia da sociedade moderna.
Os garotos podres falavam de tudo e um pouco mais. Portanto, o maior ícone do Natal, o Papai Noel, não poderia escapar impune. Veiculada no primeiro LP do grupo, "Mais podres do que nunca", de 1985, esta música causou indignação nos setores mais conservadores e o deleite dos fãs do rock pesado, em geral.
O refrão ("Presenteia os ricos. Cospe nos pobres"), com certeza, mostra a preocupação social da banda com relação a desigualdade social. Frase simples, que diz tudo, segundo as ideologias anarco-comunistas. Na periferia, sem asfalto nem saneamento básico, a criançada aguarda debaixo das cobertas carcomidas a visita do bom velhinho. Mas ele não aparece, vai à casa dos coleguinhas que têm carro importado na garagem.
Mais outra: por que, no Brasil - um País ensolarado - há representação de árvores de Natal com pinheiros típicos do hemisfério norte e alegorias de neve, em pleno verão? E o que tem a ver o bom velhinho, tipicamente europeu com roupas para enfrentar o inverno polar, com nosso paraíso tropical, habitado por pardos, mulatos, mestiços, em geral, e outras etnias? Algo mais para se pensar.
Esta crítica marcante - presente em faixas, como "Não Devemos Temer (Os que Detêm o Poder)" e "Liberdade (Onde Está?), e demais trabalhos do grupo, como "Pior que Antes (1988) e "Canções para Ninar" (1993) - se notabiliza no relato da opressão das classes trabalhadoras pelas elites, com a conivência dos governantes.
Ao contrário das acusações elitistas, os garotos podres não são ignorantes energizados por hormônios, sentimentos patológicos de eterna rebeldia e outros artifícios. Só para se ter uma idéia o vocalista Mau está concluindo doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP).Seu último trabalho, que estreou em novembro deste ano pela Paradoxx, chama-se "Com a corda toda". Há uma faixa intitulada "Ditador". Notou alguma semelhança? Esqueça de Hitler ou Mussolini, o personagem está bem aqui nas terras verde-amarelas e gosta de viajar para o exterior. E, infelizmente, não é o Papai Noel.